CAMPO DE FLOR DA ROSA | FLOR DA ROSA | CRATO | PORTUGAL | 2002

 

Requalificação e Valorização do Campo de Flor da Rosa, Crato

CLIENTE

DATA DE PROJECTO
ÁREA

 

EQUIPA

 

ARQUITECTURA PAISAGISTA

AUTOR

 

EQUIPA DE PROJECTO

Câmara Municipal do Crato

2000 -2002| Projecto Execução terminado 2002

17500 m2

 

 

 

 

Teresa Alfaiate | Coordenação geral

 

Paulo Palma, Maria Quintino,

Mª João Berhan da Costa, Filipa Branco

O Projecto de Arquitectura Paisagista de Flor da Rosa obedece a um conjunto de critérios que se definem fundamentalmente a partir daquilo que o espaço já é de facto. O sítio de Flor da Rosa é belíssimo, assinalado por estruturas edificadas únicas e por uma estrutura de paisagem muito clara que se revela marcadamente nas suas várias configurações. A intenção básica da intervenção é reforçar as linhas estruturantes e relações mais significativas entre os elementos arquitectónicos existentes, sendo que estes se exprimem não apenas por edifícios mas por outras estruturas (fontes, cisternas, caleiras de condução de água) e mesmo maciços de vegetação que, pela sua forte presença figural adquirem particular expressão na conformação de uma imagem singular. A presença destes elementos lê-se, como um conjunto nas suas relações transversais, na forma como se implanta na morfologia do terreno e na tensão entre espaços com presença histórica e simbólica. São estas relações e a sua espacialidade particular que nos propomos preservar, introduzindo-lhe simultaneamente referências contemporâneas e um discurso e expressão recreada.

 

Este sistema de relações ultrapassa largamente o espaço restrito que é ocupado pela povoação e interliga-se por um sistema de percursos rurais estruturas lineares, frequentemente confinadas por muros, que acabam por completar e interligar os espaços mais significativos da povoação com a Paisagem envolvente. Esta transição faz-se de uma forma quase imperceptível, assinalando a estrutura da propriedade e mostrando, por indícios vários, como as ancestrais folhas de cultura modelaram a actual vila.

 

Um outro legado resultante do “sedimento do tempo” determina fortemente a intervenção - a natureza tipológica do espaço. O Campo de Flor da Rosa terá sido provavelmente um prado comunitário para pastagem, incluindo-se nos percursos de transumância do gado. Esta sua característica define implicitamente a sua configuração espacial mais determinante. O campo é um espaço aberto, quase não povoado por vegetação arbórea contrastando com os maciços arbóreos ou grandes olivais envolventes. Esta imagem de espaço aberto, limpo, significativo pela morfologia da terra é também uma das suas grandes qualidades e uma referência que adquirimos como legado, a não perturbar e mesmo a enfatizar. Assim em todos os espaços da vila fora do campo a estratégia foi fechar, completar a leitura dos “macro quarteirões” e densificar de vegetação nos arruamentos que se dirigem transversalmente ao campo de forma a que este “ cheio” contraste e permita ler o “ vazio” que é a sua imagem de referência.

 

A uma escala mais ampla assinalam-se ainda particularidades da paisagem que fundamentaram conceptualmente a intervenção. A Sul e a Nascente o espaço é contido, quer pela própria fisiografia, mais ondulada, quer pela presença de maciços de vegetação bastante densos, quer ainda pela frente edificada. Por outro Lado nas direcções opostas, o espaço é aberto assegurando perspectivas mais alargadas, que são intercaladas por pontos focais, nomeadamente o Convento de Flor da Rosa e algumas estruturas que o envolvem. Estas direcções foram privilegiadas criando um percurso preferencial com orientação Nascente Poente, Percurso Diagonal, atravessando longitudinalmente o Campo, que nos assegura precisamente uma relação com o “exterior”, cenicamente mais interessante. Este percurso é estruturalmente mais marcado, de declive controlado, rasgando o terreno, nos locais em que este é elevado e sobrepondo-se a este, sobre a forma de passadiço sobrelevado, nos locais mais baixos. Geram-se uma variedade de situações, umas mais confinadas entre muros de suporte, outras quase “suspensas”, abertas e de perspectivas menos direccionadas. A forma natural do terreno é preservada permanecendo quase intacta – quem contorna a área do campo ao longo do percurso viário, poderá ler o perfil do terreno na sua conformação “ original” só se tornando perceptível a sua existência no momento da sua utilização. A presença desta direcção é ainda reforçada por um a alinhamento choupos bastante distanciados entre si que marcam o princípio do percurso, o meio, próximo da capela e da igreja, e o fim junto ao convento.

 

 

 

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