PRAIA DA CONSOLAÇÃO | PENICHE | PORTUGAL | 2006

com João Mendes Ribeiro Arquitecto

 

Elaboração do Projecto de Execução dos Planos da Praia da Consolação Norte e Consolação, Concelho de Peniche | Consulta prévia

CLIENTE

 

 

 

DATA DE PROJECTO

ÁREA

 

 

EQUIPA

 

ARQUITECTURA PAISAGISTA

AUTOR

 

EQUIPA DE PROJECTO

 

 

 

ARQUITECTURA

AUTOR

 

 

 

ENGENHARIAS

 

GEOLOGIA

 

PALEONTOLOGIA

 

 

Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território
e do Desenvolvimento Regional CCDRLVT

Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo

2007

4255 m2

 

 

 

 

 

Teresa Amaro Alfaiate | coordenação geral

 

Paulo Palma, Mª João Berhan da Costa ,

 Maria  Quintino, Ana Espadanal

 

 

 

João Mendes Ribeiro Arquitecto

 

 

 

ECA , Eugénio Cunha &Associados

 

Paulo Morgado

 

Luís Duarte

A proposta de intervenção no espaço baseia-se numa leitura interpretativa da paisagem existente, pela sua representatividade e beleza própria. Assume-se a revelação deste espaço pela sua estrutura clara e enquanto conjunto cénico e paisagístico, valores que a identificam à priori.

 

A Ribeira marca o vale e toda a ocupação humana do espaço e determina fortemente a sua compartimentação influenciando, inclusivamente, o desenho dos aglomerados urbanos. É curioso verificar a total interpenetração entre esta compartimentação agrícola e os eixos principais dos aglomerados urbanos (Peniche e Atougia da Baleia) e, como de uma forma explícita, conseguimos ler uma Paisagem, única, global. Reinterpretamos esta paisagem total, lugar dinâmico, fruto das intervenções sucessivas do homem, espaço simbólico, criação metafórica de uma cultura e dum tempo e como síntese de vários tempos-paisagem construída, independentemente da matéria, viva ou inerte.

 

As unidades que a compõem devem a sua existência e coerência em referência a um contexto, porquanto se determinam mutuamente, permitindo por indícios vários entender cada momento como uma sequência, no reconhecimento da sua lógica própria, e a antecipação do seu possível futuro potencial.

 

O cordão dunar, entre estas, não é parte menos eloquente nesta paisagem constituindo um espaço de charneira entre o mar e os campos agricultados e expressando grande dinâmica e movimento, variações que interessa tornar legíveis, paralelamente à estratégia de estabilização e consolidação, que se prevê despoletar. A estrutura desta paisagem existente é desta forma o principal elemento que suporta ao conceito de intervenção, surgindo reforçada pela continuidade de linhas perpendiculares ao mar, que constituem articulações fortes entre o interior e o cordão dunar, até chegar à praia propriamente dita.

 

Parece importante regrar e definir claramente algumas destas ligações entre o aglomerado urbano e a praia, por estas assegurarem um reforço da métrica e ritmo da estrutura do espaço mas, sobretudo, para conter e evitar a dispersão de percursos por todo o espaço interdunar e duna secundária. Esta dispersão e multiplicidade de trilhos abertos nas dunas é bem visível na fotografia aérea recente. Nalguns casos a suposta preservação total destes espaços tem tido consequências paralelamente bastante nefastas, pela inexistência de uma regra legível que direccione e assegure as principais ligações, podendo igualmente ser minimizados os seus impactes negativos. Nesta perspectiva é pertinente o reforço de vegetação arbóreo arbustiva na área correspondente à duna secundária que poderá servir de tampão à ocupação urbana bem como a densificação do estrato arbustivo e herbáceo na zona interdunar.

 

A vegetação plantada em sebe irá reforçar este sistema de linhas perpendiculares assinalando igualmente o movimento das dunas e escolhendo preferencialmente os pontos de cotas mais baixas.

 

À escala da praia é gerado um ritmo através da marcação de percursos de acesso à praia, a construir em estrutura leve sobrelevada com número de apoios ao solo reduzido, percurso este que será reforçado pela criação sebe ao, longo de todo o seu desenvolvimento. Associados a estes percursos surgem os apoios de praia, torres de vigilância e suportes para bandeiras, pretendendo-se uma aglomeração e articulação destes equipamentos reforçando a estrutura de acessos e optimizando o funcionamento e gestão destes serviços.

 

Foram diagnosticadas na área de intervenção dois níveis distintos de degradação correspondentes à duna primária - Um nível de maior degradação correspondente à zona anterior da duna, face da duna primária mais exposta aos ventos dominantes e ao pisoteio intenso de acesso à praia, que apresenta grande rarefacção da vegetação; Um segundo nível de degradação correspondente ao contradorso da duna primária (zona posterior) onde existe maior densidade de vegetação, mas se verifica a presença de manchas de espécies invasoras, esgotando os recursos existentes no solo. Na zona mais baixa, interdunar, não se verifica a existência de degradação apesar de esta poder ser densificada com vantagens no processo de consolidação. Este processo de Consolidação é previsto em duas fases, aos quais correspondem sistemas de plantas pioneiras, seguidas de plantações de espécies diferenciadas de maior porte, a realizar posteriormente. Para além da protecção deste ecossistema a vegetação utilizada foi igualmente controlada e manipulada tirando partido do seu contraste cromático, enfatizando o movimento do perfil dunar e destacando as relações perpendiculares à costa., rasgando caminho entre estas. Estas direcções que assinalam os principais percursos de acesso à praia e aglomerados urbanos são sublinhadas com sebes e maciços de arbustos, ao longo dos percurso sobrelevados.

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